quarta-feira, abril 25

sons da noite
























De forma inesperada apercebo-me da noite

Oiço o uivo arrepiante do cão lá dos fundos
O miar frenético, que anuncia uma lua cheia
O som estridente da vigilante coruja branca
O correr dos estores de quem termina um dia de trabalho
O derrapar das rodas de quem esquece o perigo da estrada

Qual ritual de culto... deixo-me invadir pelos sons da noite
E sigo em direcção à gigante caixa de música
Onde todos os sons se desvanecem
Por entre um mix de pop, rock e disco
Onde sinto o ritmo cardíaco medido em poderosos decibéis
Onde os gritos são apenas “bichanares”,
Onde na realidade ninguém me ouve

De forma previsível apercebo-me dos perigos da noite

Oiço a sirene das ambulâncias
As propostas aliciantes de novos psicotrópicos
As propostas indecentes de corpos sinuosos
As rixas de quem já bebeu demais
O irritante chiar que não sai dos ouvidos

De forma consciente sei que por hoje já chega

Oiço o ressonar do vizinho do lado
O correr dos estores de quem começa um dia de trabalho
O chilrear dos canários que já vislumbram a luz do dia
O toque do despertador que não desliguei
E a noite fica para trás, mais uma página rasgada.

by ANA CRUZ

1 comentário:

Chapa disse...

Parece-me que a "bloguite", é mesmo uma doença contagiosa.
Parabéns Ana, benvinda à blogosfera.